"Bati-me sempre por coisas que iam além de mim e não olhei a sacrifícios. Fiz o que pude, e quem faz o que pode faz o que deve" - Fernando Valle.
07 de Julho de 2011














(Artigo publicado na edição de 8 de Julho de 2011 do Jornal de Estarreja).


CENS(URAD)OS em 2011

Começaram a ser divulgados os resultados provisórios dos CENSOS 2011 e dos primeiros dados divulgados podemos, desde logo, constatar que o município de Estarreja nestes últimos 10 anos perdeu. Não obstante ter mais famílias é hoje um município que tem menos habitantes e pelos indicadores em n.º de edifícios e alojamentos consegue-se aferir com segurança que algo vai mal neste município. Falta dinamismo económico e social e isso reflecte-se, obviamente, no facto de Estarreja ter perdido, em relação a 2001, o equivalente a 3,77% da sua população. Em termos percentuais é o 6º pior resultado dos municípios do distrito de Aveiro e na NUT III em que estamos inseridos (Baixo-Vouga) o 2º pior resultado,ficando apenas à frente de Sever do Vouga.
Nestes dez anos (2001-2011) todos os municípios que fazem fronteira com Estarreja, com excepção de Oliveira de Azeméis, aumentaram a sua população, a saber: Murtosa (11,81%); Albergaria-a-Velha (2,33%); Ovar (0,25%) e Aveiro (6,99%).

Desde os Censos em 1981 que Estarreja à semelhança do país aumentava a sua população. Em 1981 Estarreja tinha 26.261 habitantes. Em 1991 eram 26.741 habitantes (aumento de 1,8%), em 2001 éramos 28.182 (aumento de 5,4%) o que consubstanciou o maior aumento de população residente desde que se realizam os censos e agora, volvidos 10 anos obtivemos um decréscimo populacional de 3,77%, como já referi.

Estes dados assumem contornos tão graves quanto o facto de se ter regredido em população em todas as freguesias do concelho, bem como o facto de Estarreja ter ainda o 6º pior resultado do distrito em matéria de aumento do nº de famílias residentes e o 2º pior resultado no que diz respeito ao aumento de alojamentos e edifícios existentes na área do município.

É pois importante fazermos uma análise às causas destas péssimas notícias de forma a conseguirmos inverter o actual estado das coisas e recolocar Estarreja do lado das terras que crescem em vez do lado daquelas que definham.

Quais são, então, as causas para Estarreja, município do litoral e inserido numa das regiões mais pujantes económica e socialmente do país ter regredido em 10 anos, quando devia ser exactamente o contrário?

Numa primeira análise poderíamos pressupor que fosse por deficientes acessibilidades em vias de comunicação como é o caso de Castelo de Paiva. No entanto Estarreja, ao invés de Castelo de Paiva, é servida pela principal linha ferroviária do país (Linha do Norte), é servida pela principal auto-estrada do país (A1) e ainda pela principal porta de entrada da Europa no país (A25) e ainda por uma nova auto-estrada (A29). Situando-se a 20 Km de Aveiro e 50 Km do Porto. Castelo de Paiva, não tem auto-estradas, não tem linha férrea e muito menos as oportunidades de emprego na região, como é o nosso caso, e conseguiu decrescer em população menos que Estarreja. Estarreja tem hoje menos 1.063 habitantes e Castelo de Paiva menos 607 e em termos percentuais decresceu menos que Estarreja.

As nossas primeiras conclusões quanto ao facto de termos perdido população não estão, pois, relacionadas nem com a geografia, nem tão pouco com deficientes acessibilidades.

Podemos questionarmo-nos sobre o facto de termos excelentes acessibilidades leva pessoas em vez de as trazer. Mas quais serão as motivações para as pessoas quererem sair de Estarreja? É que nestes últimos dez anos tenho ouvido o Sr. Presidente da Câmara referir maravilhas sobre a evolução de Estarreja. Até já “temos cidade”, ambição do nosso Presidente de Câmara proferida numa célebre entrevista a um jornal.

Para mim a resposta a tudo isto tem causas muito mais que plausíveis. Tem causas que expõem neste resultado todas as debilidades que Estarreja ganhou nestes últimos 10 anos que têm como único factor comum o facto de Estarreja estar a ser governada pelo PSD coligado com o Partido Popular, durante este período.
Falta de atractividade, falta de qualidade de vida, falta de projectos para o desenvolvimento do nosso município.

Durante estes dez últimos anos referi com frequência que faltava visão a quem nos governa para o desenvolvimento de Estarreja e os CENSOS 2011 é hoje a constatação cabal desta minha afirmação.

Em dez anos houve um “boom” imobiliário em Portugal. Em Estarreja pouco ou nada se construiu. Isso inflacionou os preços das casas e os mais jovens foram forçados a deixar de residir em Estarreja, uns para Albergaria, outros para a Murtosa, outros para Ovar, Aveiro e até mesmo para Ílhavo.

Nestes últimos dez anos nada de relevante aconteceu que mobilizasse os Estarrejenses. A principal montra e evento mobilizador dos estarrejenses que é o Carnaval deixou de crescer. Tem um modelo de organização esgotado e a Câmara Municipal olha para o Carnaval como despesa e calendário a cumprir em vez de olhar para o Carnaval e para todos aqueles que se esforçam ano após ano para o engrandecer como um investimento que poderá atrair mais investimento.

Estarreja em dez anos continua sem transportes públicos que permitam a mobilidade no município ou entre os municípios de Estarreja, Murtosa, Albergaria e Oliveira, não obstante de todas estas autarquias serem governadas por pessoas do mesmo partido.
Não tem havido rasgo nem a confiança nos estarrejenses e na sua capacidade empreendedora. Não se tem apoiado convenientemente as principais empresas sediadas em Estarreja (que têm apoiado sem pedirem nada em troca a autarquia e as colectividades do concelho).

Os CENSOS 2011 são o triste legado da gestão camarária destes últimos 10 anos. Se lhe somarmos o aumento do preço da água, das licenças e do provável aumento do preço da recolha do lixo (como ouvi com preocupação na última Assembleia Municipal) não consigo vislumbrar nada mais que nos deixa José Eduardo Matos. Esperava mais. Os Estarrejenses mereciam mais, em especial todos aqueles que votaram na coligação, uma e outra e mais uma vez.


Pedro Vaz
Membro da Assembleia Municipal pelo PS.
publicado por Pedro Vaz às 23:33
Thank you for sharing your thoughts. Excellent!
Anónimo a 12 de Julho de 2011 às 05:11
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