"Bati-me sempre por coisas que iam além de mim e não olhei a sacrifícios. Fiz o que pude, e quem faz o que pode faz o que deve" - Fernando Valle.
31 de Outubro de 2008

Fiquei sensibilizado pelo pedido de alguns amigos, em especial do Zé das Segundas-Feiras (que há quem diga que é a melhor noite), aqui vai o artigo na íntegra.

Presidente: diga qualquer coisa.

José Eduardo Matos deu a sua grande entrevista no Jornal de Estarreja. Privilegiou um órgão de comunicação social local da terra, quando poderia tê-la dado a qualquer periódico de tiragem regional e, até mesmo, nacional, tal foi a informação relevante que foi deixando sair aqui e ali, nesta entrevista que ocupa as páginas centrais do Jornal de Estarreja (JE) da semana passada.

Mas não querendo especular mais vamos mesmo à vaca fria, como se diz em bom português. Vamos então analisar a propriamente dita (entrevista).
Num breve subtítulo lê-se que José Eduardo Matos (JEM) avalia o trabalho feito ao longo dos anos, a estratégia para o futuro e comenta os argumentos da oposição (leia-se PS).

Perante tal intróito, fiquei na expectativa de ver uma mensagem forte, sólida e eficaz, que comprovasse um Presidente experiente e experimentado na gestão autárquica e que ilustrasse a evolução política de JEM. Nada mais errado, na minha perspectiva.

Admito desde já a parcialidade de quem é militante do PS, de quem nunca votou em JEM e nunca acreditou nos projectos políticos que protagonizou, aliás, tendo mesmo questionado a existência de qualquer projecto político para o desenvolvimento de Estarreja.

Dos três eixos enunciados: trabalho realizado em 7 anos; desenvolvimento e estratégia para o futuro; comentário político à actuação do PS, tal qual Marcelo Rebelo de Sousa, como se não fosse parte integrante da contenda, como se a discussão político-partidária fosse algo de mau. Como se contra-argumentar não seja algo de honesto e sério. Não. O comentário é mais suave, dá mais ar de estadista, coloca JEM acima da liça e até mesmo acima da democracia e do que a constitui na sua essência: o debate político-ideológico entre visões de sociedade diferentes que caracterizam os diversos partidos políticos. Enfim…. Dizia eu dos três eixos desta entrevista conclui-se nada. Conclui-se o óbvio, conclui-se factos e verdades de La Palisse.

JEM vai, ao longo dos milhares de caracteres de entrevista, dizendo-nos e explicando-nos a difícil arte de gerir uma autarquia/município e que os possíveis e os impossíveis foram feitos para mudar Estarreja (como anunciava o seu slogan nas autárquicas em 2001). Assim diz JEM:

•“Há sempre grandes obras, quer seja pela sua dimensão ou importância são fundamentais para as pessoas”
•“Basta olhar para o município, o que ele era há meia dúzia de anos e ao que é hoje, para vermos as diferenças”
•“A autarquia tem um papel importante, mas não é decisivo”
•“As coisas não nascem de um dia para o outro”
•“Temos políticas que se estendem a todos”
•“O nosso plano político depende da concretização de obras”
•“Quem nos dera ter avançado muito mais. Existem diversos constrangimentos”
•“Ele tem a razão dele e eu tenho a minha”

Estes são alguns excertos, que pude anotar da excelente entrevista de JEM acerca da realidade da sua gestão do município de Estarreja desde 2001. Entrevista que me mostrou a verdade, crua e dura daquilo que é um município sem estratégia, sem visão e sem futuro (pelo menos enquanto JEM continuar à frente dos seus destinos).

JEM fala da obra(s) feitas(s), não enuncia ou enumera uma única. JEM fala de grandes obras que são importantes, mas diz que gosta de fazer é pequenas. Ainda assim, não enumera uma única obra pequena.

JEM diz e com razão que basta olhar para o município há meia dúzia de anos atrás e identificam-se logo as diferenças. Abstenho-me de fazer qualquer comentário, mais claro e evidente que isto é impossível, eu próprio sê-lo. A autarquia tem um papel importante, mas não é decisivo. Outra evidência que não comentarei. Noto, no entanto, que ainda assim não diz que papel importante é esse, apenas que não é decisivo para a vida dos estarrejenses.

JEM diz que as coisas não nascem de um dia para o outro. Todos sabemos isso, só não sabemos que coisas, uma vez que JEM não diz quais são e já foi eleito há quase sete anos.

JEM afirma que têm políticas que se estendem a todos. Isso na política é uma verdade universal. Falta saber quais políticas? De que forma se estendem? Quais são as suas implicações? Positivas? Negativas?

JEM fala mais uma vez que o seu plano político depende da concretização de obras. Quais? Quantas? Onde?

JEM fala que queria ter avançado mais, mas há constrangimentos. Impõe-se a pergunta: quais constrangimentos? Políticos? Técnicos? Incompetência? Incapacidade?

JEM assume que os outros têm a sua razão e ele tem a sua própria. Palavras para quê.

JEM, num delírio extasiástico, afirma, mesmo, que temos no Eco-Parque fábricas maiores que o IKEA. Alguém duvida disto? Eu não, preciso apenas de ir ao oftalmologista porque a miopia, de que sofro, deve ser cavalgante.
Terminando. Do feito, JEM não diz nada. Do que quer fazer, JEM nada diz. Isto recorda-me, com as necessárias adaptações, um pequeno excerto do filme Abril de Nanni Moretti em que aquando de um debate televisivo entre Massimo D’Alema e Silvio Berlusconi para as legislativas, Moretti exorta, do seu sofá, D’Alema a reagir a dizer algo de esquerda. No fim em desespero perante a apatia. Moretti apenas quer que D’Alema diga qualquer coisa.

José Eduardo Matos, enquanto munícipe rogo-lhe em desespero, diga qualquer coisa.
publicado por Pedro Vaz às 17:37

Sai hoje no Jornal de Estarreja um artigo de opinião, da minha autoria, sobre a entrevista dada pelo distinto Presidente da Câmara Municipal de Estarreja (minha terra) na semana passada ao mesmo jornal.

Podem ler aqui.

Se houver alguém a pedir muito, poderei colocar no blog na íntegra.
publicado por Pedro Vaz às 00:43
07 de Outubro de 2008

Recebi este e-mail que dá uma noção simplista, mas verdadeira, sobre o que desencadeou esta crise financeira mundial de consequências cada vez mais imprevisíveis.

Reza assim:

O Ti Joaquim tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide que vai vender copos
"fiados"aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.
Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da
dose do tintol e da branquinha (a diferença é o preço que os pinguços
pagam pelo crédito).

O gerente do banco do Ti Joaquim, um ousado administrador formado em curso
muito reconhecido, decide que o livrinho das dívidas da tasca constitui,
afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao
estabelecimento, tendo o "fiado" dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do
banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro
acrónimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e
conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro
inicial todo mundo desconhece (os tais livrinhos das dívidas do Ti Joaquim).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com
fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro
para pagar as contas, e a tasca do Ti Joaquim vai à falência. E toda a
cadeia se f****.



publicado por Pedro Vaz às 18:25
tags:
01 de Outubro de 2008

Tem sido uma vergonha esta história dos livros escolares. É o que dá o monopólio.

Muitas crianças e jovens ainda não têm um único livro sequer. Os proprietários das livrarias andam em zaragatas nos armazéns dos livreiros por um exemplar do manual. A escola já começou e os testes vêm aí.


 

Fala-se em nacionalizações no mercado financeiro. Nacionalize-se é os livreiros. Se tal não for possível, crie-se então o sistema de empréstimos de manuais escolares na escola pública.

publicado por Pedro Vaz às 22:00
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